Da Série "PADÊ POEMA" do escritor Cuti, vamos viajar no texto Trincheira do livro Sanga. Lembro que tive o prazer de ouvi-lo musicado e se alguém gravou na época, compartilhe no Youtube e avise esse escriba. Ficou muito bom.
PROSEANDO SOBRE O LIVRO ( foto do Facebook de Jaine Lima)
Dia 29/08
estive na EE Manuel Bandeira no Bairro de Perus participando do “Café
Filosófico”, à convite da professora Jaine Lima. O meu conto “Jogo Eleitoral”, extraido do C.Negros 32, já
havia percorrido as tramas escolares dando passagem para o livro de poemas “Enquanto
o Tambor não Chama”, discutido e sabatinado no encontro. Faltava dizer que assim
que cheguei pude ouvir um poema do livro musicado pela turma. Eu e o Arthur,
meu filho-fotógrafo-envergonhado. Recepção assim anunciava precaução cardíaca além
do esperado. Na sala olhos atentos, perguntas engatilhadas, ouvidos aprumados.
O resto é emoção que ficará aquecendo meus pensamentos nos dias ásperos. Valeu
professores! Nas recordações faceboquianas postei o texto abaixo:
O que é alegria? Palavra escorregadia
sem sentido completo. Penso em uma lista enorme de coisas simples. Tal como pão
fresquinho com casca crocante; acordar cedo e lembrar que está na praia longe
de acabar as férias; ver nascer as primeiras folhinhas daquele galho que
plantou sem raiz e vingou; um texto moleque que se faz poesia, me faz rir ou
chorar. A lista é enorme. Mas para quem gosta de poesia, literatura, alunos
interessados, professores guerrilheiros da palavra, escola responsável e
desejosa em oferecer mais do que pode... Tudo isso me dá uma alegria boba, até
inocente, contida dentro dos olhos, e com a certeza de quem recebeu mais do que
mereceu. Agradeço. Tamo junto!
Fotos do Sarau na Bienal do Livro. O Bang formado por Marcio, Esmeralda, Akins, Débora, Thyko, Michel, Cosme e este escriba já deixa saudades. Agradecimento especial a Secretaria Municipal de Educação pelo convite, pelas participações mais do que especiais de Neide Lopes, Evaristo e Mc Sophia e quem chegou com rap, prosa e tesão pela palavra. Agradeço aos meus orixás por ter participado com vocês. Até a próxima.
Olá amigos!
Assim como aconteceu em 2010, Quilombhoje estará na Bienal do Livro no Stand da Secretaria Municipal da Educação, com bate-papo, sarau e muitas palavras negras. Estarei lá, com os parceiros Marcio Barbosa, Esmeralda Ribeiro, Michel Yakini, Akins kinte, Débora Garcia e você E claro! Simbora ajuntar intenções e presenças!
Segue material de divulgação:
Esperamos que você esteja bem.
A 22a. Bienal do Livro está acontecendo na cidade de São Paulo e irá até o dia 19 (domingo).
O Quilombhoje terá duas atividades no dia 19, último dia:
12h às 13h - bate-papo sobre literatura afro-brasileira
16h às 17h - roda de poemas (microfone aberto)
As duas atividades acontecerão no estande da Secretaria de Educação. Rua J número 30 (próximo à turma da Mônica).
Profissionais do livro, autores incluídos, não pagam ingresso (é preciso comprovante, como um livro com o nome do autor e foto, p. ex.), assim como professores (com identificação), crianças menores de 12 anos e "jovens há mais tempo" acima de 60.
Caso esteja em São Paulo, sua participação é fundamental! Estaremos te aguardando!
No próximo dia 08 de agosto,
quarta, a Câmara Municipal de São Paulo irá realizar, a partir de 19h,
uma homenagem ao Professor Eduardo de Oliveira, poeta que faria 86 anos
no dia 06. Será uma Sessão com poesias. Abaixo segue o convite. Se
estiver em SP, sua presença é importante. De qq modo, se puder ajude a
divulgar.
Mulheres optam por deixar a química de
lado e assumir a textura natural do cabelo; tendência conhecida como
transição é forte nos EUA e ganha adeptas no Brasil
"Ver meu cabelo natural pela primeira vez foi uma
revelação. Ele não era nada seco e quebradiço, como eu pensava. Era
crespo e gostoso de tocar”. O depoimento da britânica Zina Saro-Wina
está registrado em um mini-documentário de sua autoria, recentemente
publicado na versão online do jornal “The New York Times”. O filme trata
sobre as mulheres que estão deixando os cabelos quimicamente alisados
de lado para voltar ao look natural. De acordo com Zina, esta transição é
um fenômeno que vem acontecendo entre as negras norte-americanas nos
últimos três anos e o número de adeptas não para de crescer. No Brasil não poderia ser diferente. Com a população
formada por uma mistura de etnias e majoritariamente com cabelos crespos
ou cacheados, o fenômeno da transição dos cabelos com química para a
textura natural chegou por aqui e é amplamente discutido nas redes
sociais e sites de compartilhamento de vídeos.
Fernando Genaro/ Fotoarena
Adriana André decidiu se livrar do alisamento de uma só vez, raspando os cabelos
O processo pode ser encarado de duas maneiras: cortar todo o
cabelo de uma vez ou ir tratando a parte alisada. Cortar tudo foi a
opção de Adriana André, paulistana de 27 anos. Há dois meses a
cabeleireira trocou o corte liso tipo “chanel” por uma cabeça raspada na
máquina um: “Vou deixar o cabelo natural, sem química. No final do ano
estou pensando em fazer luzes. E se for mudar a forma de novo, quero
deixar cacheado”, disse. Os conhecidos estranharam o novo visual, mas Adriana não
liga: “Me perguntam se virei lésbica, se raspei porque entrei para a
umbanda, mas não estou nem aí”, conta ela, que está adorando a nova fase
“curtíssimo”. Amanda Gil, 29 anos, também optou pelo corte, mas não
chegou a raspar. A profissional autônoma ficou sete meses com o cabelo
de duas texturas até que decidiu fazer o chamado big chop (grande
corte). Retirou toda a parte alisada, ficando com os fios bem curtinhos.
“Nunca tinha usado o cabelo assim, mas não tive escolha! Depois de
fazer o corte gostei, os cabelos curtos são práticos e versáteis”, diz a
carioca. E completa: “Dá sim para ser feminina com os cabelos curtos. É
só usar e abusar da maquiagem e dos acessórios que fazem toda a
diferença!”
Arquivo pessoal
Amanda Gil esperou sete meses para os cabelos naturais crescerem antes de fazer o chamado "big chop"
A história de Amanda com alisamentos vem desde a infância,
quando começou a fazer relaxamento em casa. Depois de uma experiência
desastrosa – relaxou e fez escova progressiva no mesmo dia e quase ficou
careca – foi terminantemente proibida de usar químicas pelo médico
dermatologista. E hoje diz orgulhosa que está há um ano e cinco meses
sem usar nada para mudar a forma das madeixas. “Minha vida mudou completamente. Me sinto realmente livre.
Não suporto mais ver minhas fotos de cabelo alisado. Hoje sim, me sinto
linda. Amo meu cabelo e minha autoestima está sempre lá em cima. Eu
entendi e aceitei que meus cachos são minha identidade”, conclui Amanda. Jacqueline Maciel, 28, está em pleno processo de transição,
com sete meses de raiz crescida. A professora mineira também começou a
alisar os cabelos na infância, mas percebeu que a química prejudicava
seus cabelos. Mesmo decidida a voltar à textura natural, Jacqueline
confessa que o processo não está sendo fácil: “Muitas vezes a vontade de
voltar a relaxar é imensa. Eu optei por não cortar os cabelos, então as
duas texturas no mesmo fio dão uma aparência de mal cuidado. Além
disso, os cabelos processados são fracos e começam a quebrar. É difícil
lidar com a autoestima”, declara. Jacqueline trocou químicas, secador e chapinha por uma rotina
de cuidados que inclui muita hidratação, nutrição e reconstrução das
madeixas. “Os fios reagem muito melhor a qualquer tratamento que eu
faço”, conta.
Palavra dos especialistas Os especialistas confirmam mesmo uma volta aos cabelos
naturais. “Nove entre dez clientes que me mandam e-mail querem saber
como voltar aos cachos naturais”, diz Soraia Ferretti, dona do Lunablu,
salão de São Paulo especializado em cabelos crespos e cacheados. Mas não existe milagre. Dependendo do processo pelo qual
passou o cabelo, só mesmo um corte é capaz de recuperar a forma natural.
Sueli Martins, do Studio Dom, de São Paulo, diz que a transição leva em
média seis meses, dependendo do comprimento do cabelo: “Depois desse
tempo já dá pra fazer um corte e ficar com ele todo natural”. “Se a pessoa fez uma escova definitiva tem que ir deixar
crescer e ir cortando a parte alisada. Se fez progressiva poucas vezes,
existe a possibilidade de só tratar e os cachos voltarem. Se só amaciou,
pode tratar que os cachos voltam na hora”, explica Robson Trindade,
cabeleireiro e visagista do salão paulistano Red Door. Trindade diz que
aproximadamente 70% de sua clientela quer voltar aos cabelos naturais. Para os profissionais, quem tem o cabelo alisado e quer
recuperar a textura natural tem que ter paciência. Raspar tudo é para
poucas corajosas e a maioria acaba mesmo fazendo a transição gradativa.
Durante este processo, além de muita hidratação para controlar o volume,
é necessário que a mulher aprenda a lidar com seu novo cabelo. “O cabelo crespo ou cacheado sem processo químico não é
difícil de cuidar. Existe uma ilusão de que o cabelo liso é mais fácil,
mas não é, basta saber como lidar”, afirma Soraia. Robson concorda e diz
que para cabelos crespos, menos é mais. Ele recomenda lavar com um
xampu que não faça muita espuma, passar condicionador e não enxaguar e
em seguida secar com tecido de algodão cru ou toalha de papel para
controlar o volume. Outra dica valiosa: quem quer recuperar os cachos
deve abandonar a escova e ajeitar os cabelos com os dedos. Assista ao documentário da britânica Zina Saro-Wina no The New York Times (em inglês)
Soldados negros que lutaram por SP são tema de livro
DE SÃO PAULO
O jornalista Oswaldo Faustino resgatou a participação de unidades
militares de voluntários negros paulistas durante a Revolução
Constitucionalista de 1932, conhecida como Legião Negra.
OSWALDO FAUSTINO
Em seu livro "A Legião Negra" (Selo Negro, 2011, 224 págs.), a história é
contada por meio de dois personagens: Tião Mão Grande, o narrador
centenário; e Miro Patrocínio, mestiço que nega a sua origem, mas "se
torna negro" devido às circunstâncias.
Folha - Por que decidiu contar a história da Legião Negra em forma de romance histórico em vez de livro de não-ficção? Oswaldo Faustino - Antes de tudo porque eu sou jornalista e
escritor, não historiador. Minhas pesquisas não se basearam em
documentos, mas em publicações, em entrevistas realizadas com filhos e
netos de combatentes e numa específica, que aconteceu em 1975, com o
doutor Raul Joviano do Amaral. Como membro da Legião Negra, ele chegou a
tenente.
Há planos para filmar a história? O livro é um roteiro?
Honestamente, se um dia a Legião Negra virar filme, vou achar
sensacional, mas só a oportunidade de mergulhar nessa história e poder
produzir um romance já é extremamente compensadora.
Por que negros e mulatos tiveram interesse em se voluntariar para
lutar por São Paulo na Revolução de 1932, que muitos historiadores
consideram um conflito das elites?
Como a Frente Negra [principal organização negra da época] se declarou
neutra, o advogado Joaquim Guaraná Santana e o orador Vicente Ferreira
saíram -ou foram expulsos- dessa instituição, criaram a Legião Negra e
saíram em caravana alistando negros e arrecadando donativos para o
pagamento de seus soldos e para sustentar as famílias dos voluntários.
O coletivo “Literatura Suburbana” mapeou a produção literária
nas periferias de São Paulo e registrou em áudio as poesias declamadas
pelas vozes dos próprios escritores. O material gravado será distribuído
na web, mas quem quiser conhecer esta produção de perto está convidado a
participar do sarau de lançamento do áudio-book “Play na Poesia: Vol.
1” que será realizado no dia 21 de julho e contará com a participação
dos poetas Michel Yakini, Si Nha, Samanta Bioti, Daniel Minchoni, Akins
Kintê, Emerson Alcalde, Jader de Oliveira e outros. Os interessados
também poderão entrar em contato com estas produções visitando a
exposição “Play Na Poesia”, em exposição até o dia 19 de agosto na Área
de Convivência do CCJ. Mais informações: http://playnapoesia.com.br/ Ficha Técnica:
Administrativo e articulação: Anderson Lima
Designer gráfico: Mamuti; Produção: Israel Neto
Co-produção e articulação: Bruno Pastore
Operador de áudio: Iuri Stocco Exposição: De 23/06 a 19/08, terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h. Área de Convivência. Sarau: Dia 21/07, sábado, das 18h às 21h30. Espaço
Sarau. 70 lugares. Retirar ingressos no dia do evento, a partir das 17h,
na recepção do CCJ.
ESTANTE SUBURBANO CONVICTO : O TAMBOR ENTRE OS PARES...
ENQUANTO O TAMBOR NÃO CHAMA...
Fonte: Quilombhoje
Este
livro de poemas lançado no ano passado remete a uma frase atribuída ao
escritor Tolstói: “Se queres ser universal, canta a tua aldeia”.
Sempre presente quando se fala de literatura afro-brasileira, a questão
da universalidade não reside somente na esfera literária: quantos negros
não se sentem solitários, isolados, quando estão num ambiente em que
são minoria e não encontram espaço para vivenciar sua individualidade?
Quantos não anseiam uma universalidade que significa perder a própria
identidade em função dos padrões de identidade veiculados pelos livros
consagrados e pelos veículos de grande mídia?
A metáfora do tambor já nos dá pistas: o tambor pode "chamar", pode
convocar para uma visita à ancestralidade, mas "bater o tambor" para
muitos significa um distanciamento. Esses que se distanciam falam de
“bater o tambor” como se falassem de algo já antigo, fora de moda,
"primitivo", quando na verdade o que vemos todo dia é uma reafirmação da
ancestralidade africana. “Bater o tambor” para alguns já remete a uma
oposição cultural: antigo X moderno (África X Ocidente). Uma falsa
oposição, já que o tambor convive cada vez mais com a tecnologia. A
ancestralidade não exclui a modernidade, assim como a emoção não exclui a
reflexão.
Ao cantar a família, o bairro, a cidade, as emoções que afloram no dia a
dia, em belos poemas construídos com um lirismo rítmico, Sergio Ballouk
nos leva por ruas, avenidas, situações em que qualquer um pode se ver. A
ironia e a provocação também fazem parte desse cardápio no qual os
poemas residem para despertar o leitor.
Sergio tem o mérito de buscar o que é universal na vivência afro e
trazer isso em textos (com conotação biográfica ou não) em que a forma
remete ao som dos atabaques: DO ADJÁ CONTRA O AR
a poesia vem da oferta do fim de feira
do nervosismo do choro contido
da panela vazia que cai no chão
a poesia vem da arrebentação das rochas
do coice da mula
do adjá contra o ar
a poesia vem do dedinho torcido
das dores do parto
da marca no couro
a poesia vem do sobrenome do dono
do nascido de nome gritado
do bom filho criado
para o mundo Livro: Enquanto o Tambor não Chama – Poemas
Autor: Sergio Ballouk
Quilombhoje Literatura
Contato: sergioslv@ig.com.br www.sergioballouk.blogspot.com