Nós, comunidade e organizações de movimento social em defesa da
permanência do Quilombo Rio dos Macacos trazemos aqui ao público o nosso
entendimento sobre a reunião realizada no dia 27 de fevereiro de 2012
com a Secretaria Geral da Presidência da República, representada por
Diogo Santana.
Foi afirmado, na referida reunião, pelo Governo
Federal que o Quilombo do Rio do Macaco não seria expulso do seu
território. No entanto, na prática a União Federal, através da Advocacia
Geral da União, contrariando o que se comprometeu com o Quilombo Rio do
Macaco, se limitou a fazer um pedido nas ações judiciais que move
contra a comunidade de adiamento da expulsão do Quilombo por mais 5
meses. Segundo a União esse seria o prazo necessário para garantir uma
retirada pacífica dos quilombolas. Por isso, reafirmamos que o Quilombo
Rio do Macaco e seus apoiadores continuam lutando para garantir o
direito de permanência da mesma em suas terras, pois querem continuar em
seu território tradicional e não vão sair pacificamente. É necessário
nos manter em estado de alerta, articulad@s para que o caso não caia no
esquecimento e os poderes instituídos se sintam a vontade para tomar as
terras do quilombo sem resistência organizada. Afirmamos aqui que não
aceitaremos as tais “condições para uma saída pacífica da comunidade"
através de crédito fundiário para aquisição de outra área ou qualquer
que seja a alternativa. Nenhum direito à menos!!! O Quilombo é nosso
antes da Marinha do Brasil chegar a aquelas terras.
O apoio
dado pela Fundação Cultural Palmares e pelo Incra ainda é insuficiente.
Embora a Fundação Palmares tenha certificado a comunidade como
quilombola e o INCRA tenha iniciado o procedimento de regularização,
ambos ainda não interviram no processo judicial em defesa da quilombo, o
que é fundamental para garantir a posse da comunidade sobre seu
território. Consideramos lamentável a postura do Governo Federal, da
Presidenta, em particular, que como comandante-chefe das Forças Armadas
teria poder para averiguar as violações aos direitos humanos por parte
da Marinha e os contínuos abusos e ameaças sofridos pelos quilombolas
daquela comunidade, e, principalmente, desistir das ações judiciais que
visam a retirada forçada do quilombo de nossas terras.
Nesta
reunião realizada dentro da comunidade no ultimo dia 27 de fevereiro,
representantes do governo federal, parlamentares, imprensa e movimentos
sociais puderam ver com seus próprios olhos as condições as quais os
moradores do Quilombo Rio dos Macacos, estão sendo submetidos todos os
dias. As pessoas foram listadas e fotografadas na entrada, e a imprensa
foi impedida de entrar pelo posto da Marinha sendo desta forma obrigada a
contornar toda área do quilombo e pular a cerca para acompanhar a
reunião.
As violações aos diretos humanos continuam fazendo
parte do cotidiano dentro do quilombo. Nós - @s quilombolas -
continuamos impedid@s de plantar e pescar, de ter acesso à energia
elétrica, à água potável e ao saneamento básico. Continuamos sendo
intimidados e violentados, além de termos sérias limitações ao nosso
direito de ir e vir, o que gera uma situação de instabilidade,
insegurança e temor na comunidade; a maioria de noss@s filh@s são
analfabet@s porque a entrada e saída da comunidade é continuamente
inviabilizada.
Apontamos ainda a necessidade de imediata
instauração de uma Câmara de Negociação (prevista no decreto 4887/2003),
a qual deve ser responsável por conciliar os diversos interesses
envolvidos, garantindo necessariamente a permanência de toda a
comunidade em nosso território tradicional.
Diante da situação
grave de insegurança alimentar - já que há muito não podemos plantar nem
pescar na região, como faziam nossos antepassados - a Campanha Somos
Quilombo Rio dos Macacos está organizando uma coleta de alimentos para
doação no Quilombo Cecília (Rua do Passo/Pelourinho), e no CEPAIA,
sábado, dia 3/03, às 14h, no debate com as comunidades quilombolas de
Marambaia (RJ), Alcântara (MA) e Quilombo Família Silva (RS). No dia 04
de março será realizado um ato na comunidade para a entrega dos
alimentos arrecadados. A concentração do ato está marcada para as 09
horas no posto Inema, onde continuaremos a arrecadação e entregaremos
alimentos.
Por último, queremos reafirmar que dignidade não se
negocia, nosso quilombo também não. Os nossos antepassados nos veriam
como traidores se negociássemos nossas terras. Continuaremos em luta
pois esta se configura como mais uma batalha no enfrentamento ao
processo de genocídio a qual é historicamente submetido o povo negro
neste país. FRENTE AO GENOCÌDIO DO POVO NEGRO, NENHUM PASSO ATRÁS!!!
Comunidade do Quilombo Rio dos Macacos Campanha Somos Quilombo Rio dos Macacos
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