28/03/2016

O que estão falando sobre o Livro Casa de Portugal

No dia do lançamento instiguei os convidados a escreverem sobre o livro. Tenho esse mal. Fico ansioso para saber o que acharam, se acharam... Com muita felicidade recebi esse feedback do Igor Santos Valvassori, com suas impressões. Do lado de cá só estimulo e aprendizado. Simbora!
Compartilhando sensações sobre o livro Casa de Portugal,
de Sergio Ballouk.
Ao novo amigo Sergio Ballouk.
Caro novo amigo, li seu livro Casa de Portugal. Pensei imediatamente em escrever-lhe algo, até para exercitar o convite que seus contos me fizeram. Fui reler a apresentação feita por Michel Yakini e quase desisti. Falar mais o que?
O que mais me tocou foi justamente o que ele percebeu: o convite que você nos faz, de “deixar de tanto ensaio e desatar os nós desse ritmo”.
São tantos convites: me inspirou a escrever, a ensinar, dançar...
Conheci seu livro pela pesquisa que desenvolvo na USP, pela Geografia Humana. O tema são os bailes Black como lugar de memória do negro em São Paulo, grosso modo. Mas tem muita coisa por vir, muita reflexão amadurecendo. Fui no lançamento não só pelo livro, mas pela presença no Sr. Osvaldo que me era cara. E foi uma felicidade conhecê-lo.
Como disse M.Y. também adorei sua ironia, o humor, uma leitura prazerosa. Nesse aspecto me chamou a atenção para as descrições do cotidiano que você faz, as relações que você aborda, que só são possíveis de apreender em seu “estado da arte”, redundantemente, pelas artes, pela literatura.
Em muitos casos podemos imaginar bairros periféricos da cidade, famílias negras, contudo em nenhum momento alguma personagem é reduzida ou lembrada apenas pelas mazelas que a população negra sofre. Trabalhamos, estudamos, somos dançarinos, jogadores de futebol, mas também somos doutores. É toda nossa ancestralidade, cultura, renovadas no tempo: “herdeira da ciência do quilombo do Jabaquara sempre seguiu as trilhas das ervas, o tempo da maceração, a filosofia das flores. ”
Um dos contos mais surpreendentes é o Avaliação: ele testa nosso preconceito, esse arraigado em cada canto de nossa mente, nossa pele, e que nos pega de surpresa, reafirmando a necessidade de fortalecer os laços, construir, estudar, produzir, pesquisar, refletir. O livro todo, através da ironia, nos provoca isso. Mas esse conto é a cada parágrafo!
A menção ao facebook no conto Bella Wright para mim é fantástica. Vem no mesmo sentido que disse sobre renovação. Nossas redes nessa “nova” plataforma. Outro dia minha tia, a mesma que foi no lançamento, levou seu pendrive para uma festa, mesmo sem saber apertar uma tecla do computador! Bom, isso dá um conto! Vou exercitar...
Confesso que meu conto preferido é o Batalha Naval. É a geografia e as letras em seu bailado. Material que me convidou a pisar de vez no ensino, explorando em seu conto toda a complexidade que nos envolve: nosso espaço de vivência, mídia, Estado, cotidiano, entre outros. É o conto que me fará dar aviso prévio de vez a repartição pública que trabalho.
Casa de Portugal, que dá nome ao livro, é um amplo convite: sair da TV, viver, se arriscar, aprender a ser feliz, e também se frustrar, aprender a aprender, nesse caso dançar. Aprender a conviver e fortalecer laços. Outro dia assisti boa parte de um filme chamado “Campo de Jogo”. Ele me deu exatamente essa sensação. Parece que quase ninguém mais sabe lidar com todas as emoções de um futebol na várzea, do choro da vitória, passando pela gozação, até as brigas. Um pouco do que você trouxe no conto Ponta de Lança. Estamos cada vez mais imaturos e frios relacionando-nos através da tela.
Aliás, acredito que havia mais coisas para falar, mas o facebook aqui me levou a atenção e a inspiração.
Qualquer coisa escrevo novamente.

Igor Santos Valvassori – São Paulo, 23 de março de 2016