29/02/2016

Sergio Ballouk Chama pra dançar - por Michel Yakini





SERGIO BALLOUK CHAMA PRA DANÇAR
Texto escrito para orelha do livro "Casa de Portugal", por Michel Yakini
“Disseram que ele não vinha,
olha ele aí...”
Jorge Ben – Galilleu da Galiléia
Quando Sergio Ballouk me enviou os contos de Casa de Portugal, eu já esperava essa obra há algum tempo durante a preparação do livro. Sou leitor assíduo dos contos que ele publica nos Cadernos Negros e sua prosa é do meu agrado.
Ballouk confirma a trança entre palavra e identidade que versou o seu primeiro livro Enquanto o tambor não chama, mas dessa vez, na prosa curta, apresenta um trampo afinado na construção dos personagens, nos diálogos e principalmente no uso da ironia.
Fiz a leitura sorrindo. Na alegria de ver mais um livro de contos florindo em nossa literatura e por essa prosa me deixar um sentimento de graça, mesmo nas temáticas sérias, pois Ballouk provoca o riso, sabe que na ironia prevalece a liberdade de criação e de interpretação, sendo mestre na arte de interrogar e desconstruir estórias, sem pontuar verdades de vidro.
Seus contos rememoram nossas reuniões familiares na beira da escada, aquela conversa despretensiosa no ponto de ônibus, as lambanças de um casado x solteiro e as quenturas de um baile sportchic, como no conto clássico que dá título ao livro.
Casa de Portugal é um livro de afetividades e contradições, entre o cotidiano e o absurdo, com um texto de representação direcionado, seja na presença recorrente da família (extensa) preta e da molecada, seja na descrição do espaço narrativo e dos personagens, ou nas entrelinhas e surpresas de cada enredo, que marcam o estilo do autor.
E, na cadência do samba-rock, Sergio Ballouk nos convida a deixar de tanto ensaio e desatar os nós desse ritmo, cada um ao seu estilo, pois é hora de dançar com as palavras, ouvindo as tradições e rodopiando o futuro. Bem vindo à Casa de Portugal! Alô, como vai, como é que é?
Michel Yakini